Dados do Trabalho


TÍTULO

BILIOMA POS TRAUMA HEPATICO: UM RELATO DE CASO

INTRODUÇÃO

Chama-se bilioma a coleção de bile, encapsulada ou não, fora das vias biliares, de localização intra ou extra-hepática. Dentre as possíveis etiologias tem-se: bilioma espontâneo, trauma (contuso ou penetrante) e lesão iatrogênica do trato biliar. A vesícula biliar é o local mais comum de lesão biliar no traumatismo contuso, seguida pelos ductos biliares extra e intra-hepáticos, respectivamente. Cistos biliares intra-hepáticos pós-traumáticos ou biliomas foram descritos pela primeira vez em 1898 por Whipple (1)(2). Posteriormente, foram poucos os relatos de biliomas na literatura.

RELATO DE CASO

Paciente masculino de 25 anos vítima de trauma hepático contuso complexo, após queda de objeto superior a 100 kg em abdome, sofre laceração hepática, contusão pulmonar e hemotórax. Realizada laparotomia exploradora na qual realizou-se hepatorrafia de urgência. Após 3 semanas, o paciente evoluiu com dor em pontada e desconforto em hipocôndrio direito, distensão abdominal somada a náuseas intensas; a ultrassonografia (USG) abdominal evidenciou formação cística hepática de grande volume. Prosseguiu-se a investigação com a realização de tomografia computadorizada (TC) de abdome, sendo obtida imagem demonstrando uma coleção de líquido intra-hepático loculado de grande volume. Procedeu-se estudo complementar através de colangiorresonância de abdome para excluir lesão cística, que evidenciou lesão de via biliar intra e extra-hepática. Procedendo assim com a aspiração desta coleção confirmando a presença de um bilioma. Realizada então drenagem percutânea guiada por USG, drenando cerca de 1.200 ml de bile. Procedimento feito sem intercorrências, e alta recebida com dreno abdominal ainda com saída de secreção biliosa, retirado após 3 semanas. Realizado TC de controle 1 mês após o procedimento mostrando resolução do quadro

DISCUSSÃO

A detecção de lesão das vias biliares durante o tratamento cirúrgico de lesão hepática contusa é uma condição desafiadora. Portanto, para o cirurgião, o bilioma é uma entidade a ser pensada e um alto grau de suspeita é necessário no seguimento do curso do trauma hepático contuso. Um diagnóstico tardio de bilioma por lesão de ductos geralmente resulta em aumento da morbidade (3). A USG, geralmente, é o primeiro exame que detecta a presença do bilioma. No entanto, a TC demonstra maior acurácia em determinar a relação da coleção com as estruturas adjacentes. Os diagnósticos diferenciais incluem cistos, seromas, pseudocistos, hematomas e abscessos hepáticos. A punção percutânea guiada radiologicamente, neste caso por USG, auxilia no diagnóstico e tratamento (4). Assim, a drenagem percutânea tem sido proposta como primeira opção terapêutica. As taxas de respostas dos procedimentos de drenagem percutânea de coleções são de 80% dos casos tratados. Não há contraindicações absolutas para drenagens percutâneas. Não havendo resolução, o cirurgião pode optar por realizar colangiopancreatografia retrógrada endoscópica e esfincteretomia, com ou sem colocação de stent (5)

Área

TRAUMA

Instituições

UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS - Goiás - Brasil

Autores

RICARDO VIEIRA TELES FILHO, CRISTIANA LOUSA DE OLIVEIRA , GABRIELA DADALT, GUILHERME DE MATOS ABE , LUCAS HENRIQUE SOUZA DE AZEVÊDO, VICTÓRIA COELHO JÁCOME QUEIROZ , VINÍCIUS GUILARDE ANCELMO, LUIZ CÉSAR DE CAMARGO FERRO