Dados do Trabalho


Título

TRATAMENTO CIRURGICO DE CANCER INFANTIL NO BRASIL FRENTE A PANDEMIA: UM ESTUDO COMPARATIVO

Objetivo

Comparar os números absolutos de tratamento cirúrgico para câncer infantil entre os anos de 2018, 2019 e 2020, analisando os impactos decorrentes da pandemia da COVID-19 no tratamento cirúrgico do câncer pediátrico.

Método

Os dados foram retirados do PAINEL-oncologia, sendo processados e disponibilizados pelo DATASUS (última atualização realizada em 23/06/2020). Avaliou-se a variação no número total e a média aritmética diária de procedimentos cirúrgicos oncológicos em câncer pediátrico (faixa etária de zero a 19 anos) no Brasil e nos quatro estados com o maior número de procedimentos entre os anos de 2018, 2019 e 2020. A avaliação estatística da média diária foi realizada pelo software IBM SPSS Statistics com uma caracterização de distribuição posterior para a amostra.

Resultados

Durante o ano de 2018 foram realizadas 2.624 cirurgias para o tratamento de câncer infantil; durante 2019, constatou-se 3.391 procedimentos, totalizando uma média aritmética de 3007,5 em relação aos dois anos. A média diária de cirurgias realizadas foi 7,2 para 2018 e 9,3 para 2019. Durante o ano de 2020 até o dia 23/06, foram realizadas 716 cirurgias, com uma média diária de 4,09 procedimentos, totalizando uma redução de 43,2% em comparação a 2018 e de 56% em comparação com 2019. Os quatro estados que mais realizaram procedimentos nos anos anteriores à 2020 foram São Paulo (SP) - 620 (em 2018) e 840 (em 2019) com média de 2 cirurgias realizadas por dia; Paraná (PR) - com 354 (2018) e 347(2019) com média diária de 0,96; Minas Gerais (MG) - 277 (2018) e com 368 (2019) com média diária de 0,88; e Rio Grande do Sul (RS) - com 204 (2018) e com 301 (2019) com média diária de 0,69. Em 2020, esses estados apresentaram uma redução significativa em números absolutos e também em relação à média diária dos anos anteriores: SP com 208 cirurgias realizadas, resultando em uma média diária de 1,18 para o primeiro semestre do ano (redução de 41%), da mesma forma, PR com 76 no total e média de 0,43 (redução de 55,2%), MG com 68 e média de 0,38 (redução de 56,8%), RS com 72 com média de 0,41 (redução de 40,5%).

Conclusões

O câncer pediátrico não é uma doença prevenível, sua forte predisposição genética faz com que o diagnóstico precoce e o tratamento ágil sejam muito importantes para a sobrevida do paciente (Ministério da Saúde). Para o ano de 2020, a estimativa de incidência de câncer pediátrico é de 8460 novos casos (INCA, 2019). Assim, a diminuição do número de tratamento cirúrgico pode ter como causa possível a diminuição da procura por atendimento médico decorrente das medidas para conter o avanço da COVID-19. Dentre as repercussões possíveis, estão o aumento da morbidade, sobrecarga dos serviços pós-pandemia e evolução não controlada do estadiamento da neoplasia. Ainda são necessárias mais pesquisas para esclarecer os impactos a longo prazo da pandemia no sistema de saúde brasileiro.

Palavras Chave

Cirurgia pediátrica, Cirurgia oncológica, Tratamento cirúrgico, Câncer infantil, COVID-19, Sars-CoV-2.

Área

MISCELÂNEA

Instituições

UFCSPA- Universidade Federal das Ciências da Saúde de Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil

Autores

Candida Mozzaquatro de Assis Brasil, Thomas Kelm, Gabriela Salzano Silva, Diego Seibel Junior, Danna Gomes Mateus, Izadora Bouzeid Estacia da Silveira, Armani Bonotto Linhares, Eduardo Corleta Martinez