Dados do Trabalho


Título

RUPTURA ATRAUMÁTICA DO BAÇO APÓS INFARTO ESPLÊNICO, UM RARO RELATO DE CASO

Introdução

O infarto esplênico (IE) ocorre após interrupção prolongada do fluxo sanguíneo ao órgão, podendo evoluir para necrose ou ruptura atraumática do baço (RAB). A maioria dos casos sucede a eventos cardioembólicos, leucemia, linfoma, policitemia vera, distúrbios hematológicos e doença vascular esplênica. IE com a RAB é rara. Dificuldade é o diagnóstico precoce, pois grande parte são assintomáticos. Nos sintomáticos, ocorre dor em hipocôndrio esquerdo (HE), hipertermia persistente, esplenomegalia, náusea e/ou vômito, leucocitose sem foco infeccioso, sinais de irritação peritoneal ou choque hipovolêmico.

Relato de Caso

Masculino, 65 anos, portador de HAS, DM, IRC não dialítica e arritmia cardíaca dá entrada no PS com dor em HE há 03 dias. Referiu febre e mal estar. Ao EF: dor a palpação profunda em HE com piora a respiração. Exames de entrada: aumento de PCR sem leucocitose. Tomografia Computadorizada (TC) abdome sugestiva de IE. Recebeu heparina e ceftriaxona. Na UTI, apresentou dor abdominal intensa, taquicardia, febre, palidez e DB positivo. Nova TC de abdome observado baço com áreas hipocaptantes em seu parênquima e hematoma subcapsular sugestivo de sangramento ativo no terço superior e moderado/acentuado hemoperitôneo. Realizou-se esplenectomia total laparotômica. Pós-operatório sem intercorrências. Anatomopatológico: isquemia multifocal, hematoma subcapsular associado, hiperplasia linfoide reacional na popla branca sem evidencia de neoplasia. Em acompanhamento ambulatorial.

Discussão

A RAB é uma causa rara de abdome agudo, apresentando uma relação de 2:1 em homens, sendo 46 anos a média de idade da ocorrência desses casos. Suas principais causas envolvem fatores neoplásicos (30,3%), infecciosos (27,3%), inflamatórios não infecciosas (20%), relacionadas com medicações e tratamento (9,2%), mecânicas (6,8%) e idiopáticas (6,4%). As terapias com anticoagulação são relatadas como fatores responsáveis pelo quadro. A fisiopatologia ainda não está totalmente estabelecida, existindo três teorias, o efeito mecânico de distensão secundário à infiltração leucêmica do baço, IE com hemorragia capsular com subsequente ruptura e defeitos de coagulação. O exame de escolha é a TC (95% de sensibilidade), já que esse também é utilizado para identificação de ruptura esplênica, hematoma subcapsular e hemoperitônio, além da possibilidade de elucidação de outros diagnósticos diferenciais. A esplenectomia é utilizada como tratamento em até 85% dos casos, e a conduta conservadora limita-se a pacientes jovens com etiologia infecciosa e hemodinamicamente estáveis, no qual exige seguimento com rigorosa avaliação clínica, laboratorial e de imagem. O caso mostra um quadro raro, uma vez que inicialmente um abdome agudo isquêmico proveniente de um infarto esplênico e posteriormente evoluiu para um abdome agudo hemorrágico decorrente da RAB. Isso nos mostra a importância do diagnostico diferencial associado com os fatores de risco.

Palavras Chave

Infarto esplênico, Ruptura atraumática, baço

Área

URGÊNCIAS NÃO TRAUMÁTICAS

Instituições

Faculdade Ceres - São Paulo - Brasil

Autores

Thalyta Aparecida Leite Lima, Rayane Lopes Gomes, Gabriel Henrique Nesso Jana, João Cláudio Fernandes Neto, Myka Paloma Antunes Ferreira Mascarenhas, Larissa Ganança Buosi, Natássia Alberici Anselmo, Raphael Raphe