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Dados do Trabalho


Título

GLOMERULONEFRITE DA ENDOCARDITE BACTERIANA ASSOCIADA AO ANTICORPO ANTICITOPLASMA DE NEUTROFILOS

Introdução

A evolução da endocardite infecciosa (EI) sofreu alterações em sua história natural provocadas pelas modificações das características dos doentes e da medicina intervencionista desde sua descrição por Virchow em 1858.

Material e Método

Revisão de prontuário e literatura

Resultados

Paciente 52 anos, com perda ponderal, sudorese noturna, astenia, hiporexia e febre há 10 meses foi encaminhado com disfunção renal (Cr 2,41 mg/dL, Ur 41) e hematúria sob a suspeita de doença linfoproliferativa. Nos antecedentes, tinha cardiopatia valvar mitral congênita com prótese metálica. Apresentava-se normotenso, com SS III em foco mitral, esplenomegalia. Ele tinha anemia com esquizócitos e acantócitos, VHS 113 mmHg. As dosagem de ácido fólico, vitamina B12, complemento, FAN, anti-SM, anti-DNA foram normais com p-ANCA positivo (1/320). A imunofixação sérica com padrão oligoclonal e urinária com presença de componente monoclonal de cadeia leve Kappa. As uroculturas, hemocultura foram negativas com proteinúria de 311,5 mg /24 horas. Realizou-se ecocardiograma transtorácico com disfunção sistólica e prótese mecânica mitral normal e tomografia de abdome somente com esplenomegalia. Indicou-se biópsia renal com microscopia de luz, imunofluorescência e eletrônica compatível com glomerulonefrite (GN) segmentar em alguns glomérulos, podendo ser pauci-imune, com 3/24 glomérulos esclerosados e discretas repercussões túbulo intersticiais. Diante disso, foi afastada a GN relacionada à doença linfoproliferativa. Foram aventadas outras hipóteses: lesão por vasculite ANCA relacionada ou secundária a EI. Realizou-se ecotransesofágico com lesões algodonosas em valva mitral sugestivas de vegetação. Optou-se por prova terapêutica com antibiótico empírico, seguida de troca valvar cirúrgica com remissão clínica e laboratorial.

Discussão e Conclusões

Séries retrospectivas recentes, descrevem associação entre ANCA à EI. A fisiopatologia dessa associação pode ser pela expressão de superantígenos e a indução de ativação clonal de linfócitos T. Sua incidência é 18-33% com padrão p-ANCA (14%) menos frequente que c-ANCA (84%). A prevalência é maior em homens, idade média de 53 anos, associada a sintomas constitucionais. O tipo histológico mais associado ao ANCA é padrão proliferação extracapilar com imunocomplexos mas o tipo pauci-imune e GN segmentar necrosante também ocorre.As hemoculturas podem ser negativas em até 17% dos casos de EI com ANCA positivo. Observa-se, então, que o caso descrito assemelha-se ao descrito na literatura.

Palavras Chave

glomerulonefrite, endocardite infecciosa, ANCA

Área

Doenças do Glomérulo

Instituições

Hospital Universitário HUB-UNB - Distrito Federal - Brasil

Autores

Flávia Lara Barcelos, Paula Cristina da Silva, Fernanda Carneiro de Figueredo, Flávia Dalila Pereira Costa, Gustavo de Souza Siqueira, Morganna Sousa e Silva, Flávio Jose Dutra Moura