Dados do Trabalho


TÍTULO

SOBREPOSIÇAO DE SINTOMAS DIFICULTANDO A DIFERENCIAÇAO ENTRE UM ADENOCARCINOMA DE COLON SIGMOIDE E DIVERTICULITE: UM RELATO DE CASO

INTRODUÇÃO

O câncer colorretal é a terceira neoplasia mais comum no mundo, em que cerca de 33% dos casos necessitam de cirurgias de emergência4. Em razão dessa apresentação de caráter emergencial ela tem sinais e sintomas que podem simular patologias benignas, urgindo a necessidade de precisa investigação, para melhor guiar a conduta nesses casos. O caso apresentado traz a importância da diferenciação entre o diagnóstico de neoplasia complicada e processos inflamatórios benignos.

RELATO DE CASO

Paciente feminino, 57 anos, apresenta-se em emergência hospitalar apresentando abaulamento de grande monta em fossa ilíaca esquerda (FIE) há 6 meses, perda de 14 kg no período e parada de eliminação de fezes e flatos há 2 dias. Ao exame físico apresenta-se em péssimo estado geral, hipotensa, com bolha abdominal de necrose tensa, hiperemiada e crepitante. Em colonoscopia prévia à internação, observou-se lesão estenosante intransponível, além de tomografia computadorizada (TC) sem contraste, com espessamento de cólon sugestivo de neoplasia ou processo inflamatório, e de hérnia inguinal com alças de delgado em seu interior. Portanto, foi realizada laparotomia exploratória (LE) identificando-se volumosa massa tumoral em sigmóide, invadindo mesocólon, alça de jejuno e parede abdominal com identificação de fístula para o subcutâneo em FIE com abundante saída de pus à expressão. Realizou-se lise de aderências de íleo a 10 centímetros (cm) da válvula ileocecal, além de enterectomia segmentar de 20 cm de delgado à 1 metro de ângulo de Treitz, secção de reto superior e cólon transverso, liberando ângulo esplênico, permitindo retirada da peça cirúrgica. Para correção do trânsito íleo jejunal, realizou-se entero anastomose látero-lateral. Por fim, realizou-se colostomia terminal em quadrante superior esquerdo. Já em relação à região abaulada em FIE, realizou-se incisão gerando saída abundante de secreção e desbridamento de conteúdo necrótico e purulento, deixando ferida para cicatrizar por segunda intenção. Após 2 dias foi feita uma nova intervenção para desbridamento, evoluindo com cicatrização satisfatória. Paciente recebeu alta hospitalar após 10 dias da cirurgia com cuidados contínuos de estomatoterapia e ,ao estudo histopatológico, evidenciou-se adenocarcinoma de cólon sigmóide moderadamente diferenciado T4N0, invadindo serosa e alça de delgado e margens operatórias livres.

DISCUSSÃO

De acordo com estudos, o aspecto imaginológico da diverticulite aguda ou neoplasia podem se sobrepor, dificultando o diagnóstico, assim como no caso apresentado. Com o avanço da qualidade das imagens da TC, é possível avaliar com maior acurácia as características diferenciadoras entre essas patologias, em especial quando utilizado o contraste. Ainda em relação aos métodos diagnósticos, a colonoscopia pode ser dispensável, reduzindo o tempo do pré-operatório e os custos hospitalares. Entretanto, principalmente em casos que a distinção não é possível, faz-se necessária a LE para firmar o diagnóstico.

PALAVRAS CHAVE

Neoplasias Colorretais, Adenocarcinoma, Diverticulite

Área

CÂNCER COLORRETAL

Instituições

Hospital Geral de Fortaleza, Universidade de Fortaleza - Ceará - Brasil

Autores

ALLYSSON BRUNO RAPHAEL BRAGA, FABRÍCIO ANDRADE VIEIRA MOREIRA, BÁRBARA MATOS DE CARVALHO BORGES, IANA VITÓRIA ARAÚJO MARQUES, JOÃO PEDRO ANDRADE AUGUSTO, ENZO STUDART DE LUCENA FEITOSA, BÁRBARA BEZERRA RICCIARDI, MARIA STELLA VASCONCELOS SALES VALENTE