Dados do Trabalho


TÍTULO

IMPACTO NO ESTADIAMENTO DE CANCER COLORRETAL DE PACIENTES OPERADOS ANTES E DURANTE A PANDEMIA DE COVID-19

OBJETIVO

Este estudo objetiva comparar os casos de neoplasias colorretais operadas em serviços públicos acadêmicos regionais antes e durante a pandemia de COVID-19, de acordo com o estadio clínico e patológico, com o intuito de avaliar o atraso do diagnóstico e do início do tratamento destes pacientes.

MÉTODO

Estudo observacional retrospectivo multicêntrico regional, analisando prontuários de equipes de coloproctologia de hospitais regionais. Foram estudados pacientes operados por estas equipes, tanto eletivamente, como na urgência, que foram divididos em dois grupos: o grupo de pacientes operados antes da pandemia (março/2019 a fevereiro/2020) e o grupo de pacientes operados durante a pandemia (março/2020 a fevereiro/2021). Foram incluídos pacientes com adenocarcinoma de cólon e reto e excluídos pacientes que apresentaram neoplasia recidivada. Tais pacientes foram classificados e comparados conforme estadio radiológico e anatomopatológico.

RESULTADOS

O grupo de pacientes operados antes da pandemia totalizou 73 casos, comparado a 65 casos operados durante a pandemia. Foram excluídos 21 casos por falta de acesso a prontuário e 4 casos de adenocarcinoma recidivado. Classificados como estadio 0 (1,3% x 3%); estadio I (16,4% x 13,8%); estadio II (32,8% x 40%); estadio III (30,1% x 21,5%); estadio IV (19,1% x 21,5%). Deste modo, pode-se perceber um aumento da porcentagem de casos metastáticos (estadio IV) no grupo operado durante a pandemia.

CONCLUSÕES

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a estimativa de novos casos de câncer colorretal no Brasil em 2020 é de 40.990, sendo 20.520 homens e 20.470 mulheres. Vários testes para rastreio do câncer colorretal e de pólipos adenomatosos estão disponíveis, com diferentes sensibilidades, especificidades, conveniência, disponibilidade e custo. Estes testes possibilitam a detecção precoce do câncer ou até mesmo previne o aparecimento do mesmo através da retirada de pólipos adenomatosos. Entretanto, no final do ano de 2019, um novo coronavírus foi identificado como causa de uma epidemia respiratória em Wuhan, China e em fevereiro de 2020, a Organização Mundial de Saúde declarou a pandemia pelo novo coronavírus, devido ao rápido aumento do número de casos no restante do mundo. Devido às altas taxas de transmissão deste novo vírus, os atendimentos eletivos, incluindo o rastreamento de câncer
colorretal foram suspensos, dando prioridade às urgências causadas pela COVID-19, além de tentar reduzir a disseminação da doença. Com isso, observou-se neste estudo o aumento de casos operados em um estadio mais avançado nos casos operados durante a pandemia, quando comparados com os pacientes operados no ano anterior. Além disso, espera-se que o impacto nos pacientes operados entre março de 2021 a fevereiro de 2022 seja ainda maior.

PALAVRAS CHAVE

COVID-19, câncer colorretal, rastreio

Área

CÂNCER COLORRETAL

Instituições

Faculdade de Medicina do ABC - São Paulo - Brasil

Autores

AMANDA VITIELLO PEREIRA BROSCO, JULIANA GIANGIARDI BATISTA, SANDRA DI FELICE BORATTO, FLAVIA BALSAMO, SERGIO HENRIQUE COUTO HORTA, GUILHERME GARCIA HUDARI, ALINE ZARA, DIOGO FONTES SANTOS