Dados do Trabalho


TÍTULO

DOENÇA DE CROHN, IMUNOSSUPRESSAO E LINFOMA: UM RELATO DE CASO

INTRODUÇÃO

A associação entre Doença inflamatória intestinal (DII) e câncer colorretal está bem estabelecida. Observa-se maior possibilidade de desenvolvimento dessa neoplasia após cerca de 10 anos do diagnóstico da doença, sobretudo nos pacientes com colite extensa.1,2 Outro fator associado à carcinogênese é o arsenal terapêutico imunossupressor utilizado no combate à doença. Entre os medicamentos que o compõem, a Azatioprina está associada ao aumento do risco de linfoma, especialmente a forma não-Hodgkin.2 Em relação aos imunobiológicos, os resultados são controversos, podendo existir associação entre anti-TNF e linfoma.3,4

RELATO DE CASO

Paciente feminina, 54 anos, com diagnóstico de Doença de Crohn (DC) em 1998, com acometimento colônico e perianal (Montreal-A2L2B1p). Paciente fez tratamento inicial com Sulfassalazina e corticoide oral, obtendo controle dos sintomas da doença. Em 2005 iniciou tratamento com Azatioprina (2mg/kg), mantida até abril de 2021. Em 2013 iniciou uso de Infliximabe em comboterapia com Azatioprina (2mg/kg), com otimização do Infliximabe após um ano. Em 2017, passou a utilizar Adalimumabe, sendo otimizado após 6 meses, com manutenção da Azatioprina em comboterapia. Durante todo o seguimento ambulatorial, os exames laboratoriais, endoscópicos e de imagem demonstravam sinais de atividade da doença. Paciente vinha em programação de mudança de terapia para Ustequinumabe, evoluindo, em abril de 2021, com quadro de abdômen agudo perfurativo. Foi submetida a laparotomia exploradora, com realização de colectomia esquerda ampliada e confecção de colostomia terminal, devido à perfuração de cólon transverso e sigmoide. Resultado anatomopatológico da peça evidenciou neoplasia maligna pouco diferenciada sugestiva de linfoma não-Hodgkin, ulcerado e perfurado. Imunohistoquimica compatível com linfoma não-Hodgkin difuso de grandes células B com índice de proliferação de 90%. Paciente segue em acompanhamento ambulatorial, clinicamente bem, com suspensão da azatioprina e imunobiológicos, em programação de quimioterapia.

DISCUSSÃO

Os pacientes com DC, do sexo masculino, maiores de 60 anos e em uso contínuo de tiopurinas têm risco aumento de desenvolver patologias hematológicas.4 A paciente relatada apresenta doença ativa de difícil controle e vinha em uso de imunossupressores há mais de 20 anos, o que lhe conferiu risco aumentado de desenvolvimento de linfoma. Os dados apresentados ilustram a necessidade de vigilância e acompanhamento rigoroso destes pacientes.

PALAVRAS CHAVE

Imunossupressão, Doença de Crohn, Linfoma não-Hodgkin

Área

DOENÇAS INFLAMATÓRIAS DO INTESTINO

Instituições

Hospital Universitário Professor Edgard Santos - Bahia - Brasil

Autores

VIVIANE MOREIRA GUSMÃO, SABRINA QUERON SILVA BACELAR BOUDOUX, FLAVIA CASTRO RIBEIRO FIDELIS, ISABELA DIAS MARQUES CRUZ, ALEXANDRE LOPES CARVALHO, CANDIDA OLIVEIRA ALVES, LINA MARIA GOES CODES