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Dados do Trabalho


TÍTULO

COLECISTECTOMIA VIDEOLAPAROSCÓPICA POR VESÍCULA BILIAR EM PORCELANA: RELATO DE CASO.

INTRODUÇÃO

A vesícula em porcelana consiste em uma patologia das vias biliares na qual as paredes da Vesícula Biliar (VB) encontram-se parcial ou totalmente calcificadas. É considerada por alguns autores como sendo um fator de risco para o desenvolvimento de câncer de VB. Pacientes portadores desta patologia possuem uma vesícula de consistência e aparência semelhante a um objeto de porcelana – por isto a utilização deste termo. Em muitos casos o paciente encontra-se assintomático e só é diagnosticado através de exames ultrassonográficos de rotina. Neste trabalho relatamos um caso de uma paciente que foi diagnosticada com vesícula em porcelana

RELATO DE CASO

A.L.S, 77 anos, sexo feminino deu entrada em um hospital privado na cidade de Maceió-AL relatando mal-estar, náuseas, vômitos e plenitude gástrica em crises, além de dor abdominal em epigástrio e hipocôndrio direito sugestivo de gastrite– recebendo diagnóstico clínico de dispepsia. Foi solicitada uma ultrassonografia de abdome superior, que revelou vesícula distendida com possíveis pólipos de até 7 mm.Posteriormente, realizou-se uma Tomografia Computadorizada de abdome total, através da qual constatou-se a presençade vesícula em porcelana com cálculos mistos em seu interior. A paciente foi encaminhada à Cirurgia Geral para realização de colecistectomia videolaparoscópica. Durante o ato cirúrgico foi visto que a vesícula biliar se encontrava em completa calcificação - o que impediria sua passagem pelos trocaters. Devido a isto, necessitou-se ampliar as margens cirúrgicas para retirada da peça. Após a retirada da peça, foi feita a revisão do leito hepático, que revelou a presença de drenagem biliar através de canalículo anômalo (ducto de Luscka). Realizou-se a clipagem do mesmo com endoclips e inseriu-se um dreno de Penrose (dreno laminar) na cavidade abdominal. A peça foi enviada ao anátomo-patológico, através do qual foi evidenciado macroscopicamente uma vesícula de dimensões 11.0 x 7.0 x 6.0 cm, parede endurecida, com 0.4 cm de espessura, caracterizando colecistite crônica agudizada, litiásica, com focos de calcificação. Paciente evoluiu bem, recebendo alta no 2º dia pós-operatório. O dreno apresentou secreção límpida, sem sinais de infecção ou secreção biliar, sendo retirado no 3º dia de pós-operatório.

DISCUSSÃO

A vesícula em porcelana, apesar de ser incomum, é consequência de um processo atípico de colecistite crônica. A prevalência desta patologia nas colecistectomias está entre 0,06 a 0,08% - o que explica o baixo número de casos. É mais frequente após os 50 anos de vida, e acomete mais as mulheres em uma proporção 5 vezes maior quando comparada ao sexo masculino. Em 95% dos casos o paciente também apresentará colelitíase associada a este quadro. Este relato contribui com a ampliação dos conhecimentos acerca da vesícula biliar em porcelana. O cirurgião deve estar apto a reconhecer e tratá-la da forma mais efetiva.

Área

VIAS BILIARES E PÂNCREAS

Instituições

Hospital Memorial Arthur Ramos - Alagoas - Brasil

Autores

Maria Lavínia Brandão Santiago, Guilherme Costa Farias, Teresa Amélia da Silva Oliveira, Antonio Lopes Muritiba Neto, Lucas Gazzaneo Gomes Camelo, Lucas Pacheco Vital Calazans