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Dados do Trabalho


TÍTULO

ABSCESSO ESPLENICO

INTRODUÇÃO

O abscesso esplênico é uma coleção de origem infecciosa situada no baço e é uma doença cuja incidência varia de 0,14% a 0,7%, segundo séries de autópsias. A idade média varia de 30 a 40 anos, com preferência no sexo masculino ( 65% dos casos) e preferencialmente em indivíduos imunossuprimidos. A etiologia baseia-se em três mecanismos: disseminação hematogênica (até 75% dos casos), a teoria intrínseca ( infecção após alteração de estrutura ou função esplênica - infarto, hematoma ou hemoglobinopatia) e teoria extrínseca (infecção por contiguidade). O quadro clínico é inespecífico, porém podem-se citar dentre as manifestações clínicas típicas a febre recorrente ou persistente mesmo com o uso de terapia antimicrobiana e dor no quadrante superior esquerdo do abdome com ou sem esplenomegalia. Pode ser acompanhado por derrame pleural à esquerda e infarto esplênico. A tomografia computadorizada (TC) tem uma sensibilidade e especificidade para o diagnóstico estimados em 95 e 92%, respectivamente, com achado de imagem hipodensa com um discreto realce de contraste periférico. Ressonância magnética e ultrassom são opções adicionais. O tratamento dos abscessos esplênicos não é consensual, porém consiste, na maioria das vezes, em drenagem cirúrgica ou percutânea associada a antibioticoterapia por 3 a 4 semanas. O papel da esplenectomia continua a ser debatido e, segundo alguns autores, é o único meio eficaz para prevenir a recorrência do abscesso esplênico. No entanto, dados mais recentes estão mostrando sucesso na terapia com ausência de esplenectomia, o que evita a morbimortalidade relacionada à esplenectomia, especialmente em imunocomprometidos e crianças.

RELATO DE CASO

Homem, 35 anos, residente em Belo Horizonte, atendido no serviço de urgência com dor abdominal em cólica na região de flanco esquerdo associada a dor em ombro esquerdo, há cerca de 1 ano, associada a inapetência, ausência de náuseas ou vômitos. Diurese e evacuação fisiológicas, não observa perda ponderal. História prévia de queda de moto próximo à data do início da dor, tabagismo 1 maço/dia e etilismo. Revisão laboratorial evidenciou leucocitose 12.490 com 1% de bastões e PCR de 77,3. Propedêutica de imagem com tomografia computadorizada (TC) foi sugestiva de hematoma esplênico grau III. Indicado tratamento cirúrgico com esplenectomia, identificado no intra-operatório presença de loja de abscesso retro-esplênico. Alta hospitalar no 3º dia pós-operatório com antibioticoprofilaxia e indicação de vacinação de reforço contra germes encapsulados.

DISCUSSÃO

É importante incluir o abscesso esplênico nos diagnósticos diferenciais do abdome agudo, o que é raro, considerando a baixa incidência do mesmo. A TC segue sendo o exame de referência pela sua excelente sensibilidade e especificidade, orientando e permitindo o planejamento para drenagem para fins diagnósticos e terapêuticos. O tratamento segue individualizado, tendo como opção antibioticoticoterapia e punção guiada por imagem, seguida ou não de esplenectomia.

Área

TRAUMA

Instituições

HOSPITAL MUNICIPAL ODILON BEHRENS - Minas Gerais - Brasil

Autores

BRUNO BELEZIA, ALAN ARAUJO, BRUNO BARROS, LUCAS VILLELA DOS SANTOS, BRENO FARIA, GABRIELA SILVA, LUCAS MAGALHÃES