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Dados do Trabalho


TÍTULO

HERNIA DE SPIEGEL ASSOCIADA A HERNIA INGUINAL

INTRODUÇÃO

As hérnias abdominais são caracterizadas por protrusões do conteúdo da cavidade abdominal mediante o defeito, congênito ou adquirido, da parede do abdome com risco de obstrução, encarceramento e necrose. Os principais tipos de herniação constituem em hérnia incisional, umbilical, epigástrica, femoral, inguinal e, por fim, a hérnia de Spiegel, tipo mais raro. O diagnóstico diferencial entre elas deve ser preciso e rápido, pois o alto risco de complicação na hérnia de Spiegel exige intervenção cirúrgica o mais breve possível. Para o cirurgião, saber identificar e diferenciar os tipos de herniações é fundamental para a eficácia no tratamento.

RELATO DE CASO

Paciente sexo feminino, 69 anos, hígida, admitida no hospital queixando-se de náuseas e dores abdominais. Nega comorbidades. História prévia cirúrgica de laqueadura e histerectomia. O abdome apresenta-se globoso com massas endurecidas e irredutíveis em região epigástrica e fossa ilíaca esquerda. A história e o exame físico, com técnicas provocativas do tipo Valsalva, evidenciaram hérnia de Spiegel, inguinal à esquerda e epigástrica, posteriormente confirmadas pela tomografia computadorizada de abdome total. O tratamento foi hernioplastia inguinal e spigeliana. Durante a dissecção dos sacos herniários havia alça intestinal encarcerada na hérnia de Spiegel e a parede anterior da bexiga encarcerada na hérnia inguinal. Após redução dos respectivos conteúdos e ligadura dos sacos herniários separadamente, foi colocada uma tela de polipropileno subaponeurótica, a qual abrangia as duas regiões, e fixada no espaço pré-peritoneal. No espaço subcutâneo foi posicionado um dreno de sucção.

DISCUSSÃO

A região da fáscia spigeliana encontra-se entre a linha semilunar e a borda lateral do músculo reto, acima dos vasos epigástricos inferiores, com maior largura e espessura ao nível da linha arqueada de Douglas. O defeito aponeurótico, nessa região, está frequentemente relacionado ao paralelismo dos músculos transverso abdominal e oblíquo interno, onde somente as fibras do oblíquo externo fornecem firmeza, pois a aponeurose muscular ântero-lateral está anterior ao músculo reto. Haja vista, o fato de o músculo oblíquo externo revestir essa área pode dificultar a evidência da hérnia de Spiegel no exame físico e retardar o diagnóstico. Além disso, a artéria epigástrica inferior cria um espaço ao acompanhar a fáscia transversal na borda lateral do músculo reto, perto da linha arqueada. Por outro lado, a região inguinal possui o orifício miopectíneo de Frouchaud delimitado superiormente pelo músculo oblíquo interno e transverso, inferiormente pelo ligamento pectíneo, lateralmente pelo músculo iliopsoas e medialmente pelo músculo reto abdominal. Neste espaço não existe parede muscular anterior, há somente a fáscia transversal e o peritônio, o que torna vulnerável ao surgimento de hérnias. O tratamento, nesse caso, deve ser cirúrgico com colocação de tela para reforçar a parede abdominal e diminuir as recidivas.

Área

PAREDE ABDOMINAL

Instituições

HOSPITAL MEMORIAL ARTHUR RAMOS - Alagoas - Brasil

Autores

GABRIELA DE SENA CABRAL, ELISA ESTEVES ROSSINI, GABRIELA LOSS BASTO COSTA, LUCAS DE LIMA FERREIRA, VICTOR MARANHÃO ROCHA, GUILHERME COSTA FARIAS, TERESA AMÉLIA DA SILVA OLIVEIRA, RINALDO DE AGUIAR BARBOSA