Dados do Trabalho


TÍTULO

FIBROTECOMA: A PROPOSITO DE UM CASO INCOMUM

INTRODUÇÃO

O fibrotecoma ovariano é tumor raro, que tem origem em células do estroma gonadal (3-4% dos tumores de ovários). Predomina em mulheres no climatério e raramente é maligno

RELATO DE CASO

Paciente de 26 anos, com menometrorragia associada a dor em cólica e abaulamento abdominal. O exame físico detectou massa em hipogástrio e fossa ilíaca esquerda, 14 cm acima da sínfise púbica, de contornos regulares, endurecida, fixa e dolorosa à palpação. A US transvaginal evidenciou imagem anexial à direita, heterogênea, de 12 x 9 x 9,9 cm. CA-125: 28,3 U/l. Foi laparotomizada. A macroscopia mostrou ovário esquerdo de superfície externa boleada, medindo 9,5 x 8,0x 6,0 cm e pesando 250g; aos cortes, cavidades com áreas mixóides em meio a focos hemorrágicos, medindo 9,9 cm. Microscopia: neoplasia pouco diferenciada, podendo corresponder a tumor de células da granulosa ou fibrotecoma. A imunohistoquímica para inibina foi positiva em ocasionais células; alfa-actina positiva em ocasionais células e Ki-67 positivo em 2% das células. Com base na morfologia, o quadro é compatível com fibrotecoma (a pequena expressão ou negatividade dos marcadores estudados ajuda a afastar o diagnóstico de tumor de células da granulosa).

DISCUSSÃO

Fibrotecoma é um subgrupo dos tumores da teca-granulosa, em geral assintomáticos e incidentais em exames de imagem. Apesar de raro, deve ser considerado em mulheres com massa pélvica unilateral e sangramento uterino, sobretudo na pós-menopausa. O diagnóstico diferencial de fibrotecoma inclui leiomiomas pediculados e intraligamentares e disgerminoma, tumor de Brenner e tumor de células da granulosa. Apresenta-se como tumor sólido com contornos suaves, alguns contendo poucos e peguenos espaços císticos. Histologicamente, são caracterizados por células fuso-ovais ou redondas, que formam quantidades variáveis de colágeno e pequena população de células da teca com lipídio intracelular. A imunohistoquímica pode ajudar a diferenciá-los de tumor de células da granulosa, que apresenta positividade para marcadores como inibina, CD99 e vimentina. Na maioria das vezes são benignos e de bom prognóstico. A ressecção cirúrgica é o tratamento de escolha. A importância de diferenciá-lo do tumor de células da granulosa se deve ao maior potencial de malignidade deste último.

Área

GINECOLOGIA

Instituições

UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARA - Ceará - Brasil

Autores

ALUISIO MORAES DA SILVA NETO, FRANCISCO DAS CHAGAS MEDEIROS, MARCELA de ALENCAR coelho neto, EDUARDO CAPUANO NERY, FRANCISCO ALBERTO REGIO DE OLIVEIRA, CLETO DANTAS NOGUEIRA, RAFAEL COSTA LIMA MAIA, LUCIANO SILVEIRA PINHEIRO