Dados do Trabalho


TÍTULO

Alterações tardias da deglutição após esofagectomias

OBJETIVO

A queixa de tosse e engasgos não é incomum no pós-operatório tardio de esofagectomias, nem é desprezível a taxa de infecção respiratória que exige antibioticoterapia. O estudo busca encontrar explicação para tais ocorrências.

MÉTODO

Foram estudados 14 pacientes de sexo masculino e média de idades de 57,48 +/- 7,24 anos, portadores de câncer esofágico de estádio II, submetidos a esofagectomia subtotal, preservando-se cerca de 5cm do esôfago cervical, linfadenectomia e esofagogastroplastia pelo leito esofágico, por videotoracoscopia, cervicotomia e laparotomia, sem ocorrência de fístula da anastomose. Para fins do estudo, conduzido com respeito a todos os princípios da bioética, foram submetidos a videofluoroscopia de deglutição antes do procedimento cirúrgico e 1,7 +/- 0,4 anos depois da operação, juntamente com nasofibroscopia da laringe. A queixa de tosse e engasgos intermitentes durante a alimentação era referida por todos, sem, no entanto, comprometer sua capacidade de alimentação via oral ou exigir medicação contínua, implicando classificá-los como Visick II, em função disso. Três pacientes apresentaram um episódio de broncopneumonia em base direita ao longo do período, revertido com o uso de cefepime (dois) ou ciprofloxacina (um) e fisioterapia respiratória. Para a análise videofluoscópica, ofertou-se volume de 5 ml de solução iodada, por duas vezes, procurando observar retenção de contraste nas valéculas, penetração e aspiração do contraste em relação à via respiratória; obtiveram-se médias das duas deglutições para determinar o tempo de trânsito faríngeo antes e depois do procedimento, submetidas ao teste t de Student, admitindo-se P de 0,05.

RESULTADOS

A nasofibroscopia revelou mobilidade preservada das pregas vocais em todos os casos. A videofluoroscopia da deglutição demonstrou tempo de trânsito faríngeo aumentado no pós-operatório, passando de 0,63 +/- 0,09s para 0,96 +/- 0,13s (P<0,01), com pequena penetração de contraste na laringe em 10 casos e aspiração silente em três deles, os acometidos de focos broncopneumônicos. Todos os pacientes revelaram retenção de contraste nas valéculas.

CONCLUSÕES

Conclui-se que é relevante a alteração tardia da deglutição nesses pacientes, submetidos a radical modificação do trânsito digestivo alto. Justifica-se que sejam sempre mantidos sob observação, com orientação constante da ingestão alimentar, que deve ser adaptada à nova realidade.

Área

ESÔFAGO

Instituições

Núcleo de Cirurgia Geral e Especializada de São Paulo - São Paulo - Brasil

Autores

Valter Nilton Felix, Ioshiaki Yogi, Daniel Senday, Kauy Victor Martinez Faria, Ayrton John Macedo Goncalez, Lucas Monteiro Dionysio, Yuri Tebelskis Nunes Dias, Jacob Kiderlen Fritz