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Dados do Trabalho


TÍTULO

CARCINOMA BASOCELULAR COM MUTILAÇAO FACIAL E MIIASE ASSOCIADO

INTRODUÇÃO

O carcinoma basocelular (CBC) é uma neoplasia maligna da pele que se estende desde a camada basal da epiderme e seus apêndices até a superfície. Ainda que de baixo potencial metastático, é localmente agressivo, com importante destruição das suas adjacências.
Nos Estados Unidos, cerca de 3,3 milhões de pessoas foram diagnosticadas com câncer de pele não melanoma, dos quais 80% eram CBC. Acomete mais a raça caucasiana, mulheres, países equatorianos, com aumento da incidência com a idade, e pico entre 55 a 75 anos.
Dentre os fatores de risco, destacam-se a exposição solar, drogas fotossensibilizantes, radiação ionizante, imunossupressão.
Sua apresentação clínica, principalmente, a face (70%), mas pode ocorrer no tronco, pênis e vulva. Segundo a patologia pode ser dividida em nodular, superficial, esclerosante e outros.
Ainda que seja possível o diagnóstico pelo exame clínico, a biópsia é a melhor opção.
A lesão apresentada por nós classifica-se em alto risco de recorrência devido à sua localização em face, tamanho > 6mm, invasão perineural, bordas mal definidas e aspecto agressivo. Chama a atenção o aspecto mutilante da lesão que é quase incompatível com a vida, associado à um dano estético que surpreende até profissionais da saúde.
O tratamento preconizado é a cirurgia de Mohs, com taxas de cura em 5 anos de 98-99% para CBC primários e 95% para recorrentes.
A cirurgia consiste na excisão do tumor por equipe cirúrgica especializada, acompanhado por patologista habituado ao procedimento. Costuma demorar 2 a 4 horas, acrescido de mais 1 hora para a reconstrução, que é feito após a obtenção de margens livres.
Sua principal limitação é o acometimento de órgãos vitais pelo tumor, impossibilitando sua ressecção.

RELATO DE CASO

Paciente de 53 anos, com histórico prévio de câncer basocelular em face há 10 anos, porém com relutância ao tratamento devido à problemas emocionais. Nos últimos 3 anos tornou-se pouco comunicativa, mesmo com familiares, por conta do dano estético importante, utilizando sempre de um lenço para dialogar. Há 2 dias compareceu ao nosso serviço, trazido por familiares, com quadro de miíase em toda a lesão de face. Durante a anamnese, conta que não é o primeiro episódio. Foi realizado o debridamento e biópsia sob anestesia geral com programação de retorno ambulatorial, porém o paciente não compareceu mesmo após insistente ligações.

DISCUSSÃO

O caso descrito está em consonância com a literatura médica atual, no que tange à epidemiologia e local de acometimento. Porém, há raros relatos de uma lesão tão avançada e com comprometimento estético-social tal qual o apresentado. A fobia da paciente com o profissional da saúde fez possível o não tratamento, mesmo após um período tão longo.

Área

CIRURGIA PLÁSTICA (Inclusive neoplasias malignas de pele)

Instituições

Hospital do Rocio - Parana - Brasil

Autores

Marcus Vitor Nunes Lindote, Rodrigo Rezende Silva Cabral, Ana Elisa Lopes, Diego Carvalho Duarte Mari, Bruno Durante Alvarez, Cassia Hideko Nagaya, Carolina Kauling Dagnoni, Magno Giovani Zanellato