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Dados do Trabalho


TÍTULO

COMPLICAÇOES E MORTALIDADE POS-OPERATORIA EM PACIENTES COM CANCER GASTRICO CONSIDERANDO AVALIAÇAO CLINICA E NUTRICIONAL

OBJETIVO

A mortalidade após 48 horas da cirurgia esta associada a complicação cardiovasculares e nutricionais. A adequada avaliação nutricional orienta o cirurgião quanto a possíveis riscos decorrentes das condições clínicas e nutricionais associadas à cirurgia. O objetivo do trabalho foi estudar a associação entre variáveis clínicas e nutricionais com as taxas de complicação e mortalidade pós-operatórias em 30 dias.

MÉTODO

Estudo retrospectivo de 1244 cirurgias eletivas de pacientes com câncer gástrico, operados no Serviço de Cirurgia Abdômino-Pélvica no Hospital do Câncer I, INCA. Todos os doentes foram seguidos por no mínimo 30 dias ou durante a internação hospitalar. Foram avaliados dados epidemiológicos (idade e sexo); clínicos (dor epigástrica, sangramento, plenitude, náuseas, vômitos, tabagismo, etilismo, diabetes e hipertensão arterial); cirúrgicos (cirurgia, ressecabilidade, gastrectomia parcial ou total), oncológicos (TNM), nutricionais (perda de peso, peso, altura), taxas de complicação (global, clínicas e cirúrgicas) e mortalidade pós-operatória. Os dados foram analisados de forma descritiva, analítica, uni e multivariada, a fim de determinar as variáveis independentes associados a complicações e mortalidade. A análise multivariada para a mortalidade mostrou apenas a gastrectomia total associada a mortalidade pós-operatória.

RESULTADOS

A média de idade na amostra foi de 60,9 ±12 anos, variando de 20 a 94 anos, com predomínio do sexo masculino com 729 (58,6%) casos. A taxa de complicação global foi de 30,3% (377 casos). A taxa de mortalidade pós-operatória foi de 5,1% (63 casos). As frequências dos sintomas clínicos e antecedentes mórbidos pessoais foram de: dor epigástrica (70,6%), sangramento (18,6%), plenitude (25,6%), náuseas (12,9%), vômitos (30%), tabagismo (51,5%), etilismo (11,1%), diabetes (4,8%) e hipertensão arterial (28,3%). Cirurgias realizadas foram gastrectomia parcial (45,9%) e total (22,7%). Para avaliação nutricional, foi verificado emagrecimento relatado (65,8%) e média do IMC 22,9Kg/m2 ±4, predominando eutróficos (58%) e obesos (28,7%). A taxa de ressecabilidade foi de 68,7%. Associaram-se com complicações: vômitos (p=0,07), ressecabilidade (p=0,000), IMC (p=0,000) e cirurgia realizada (p=0,000), identificadas na análise univariada. Quanto ao risco de complicações, a análise multivariada mostrou a ressecabilidade (p=0,000) e a gastrectomia total (p=0,000) como fatores independentes. A análise multivariada mostrou que a gastrectomia total (p=0,02) se associa a mortalidade pós-operatória.

CONCLUSÕES

A decisão cirúrgica deve ser avaliada quanto aos aspectos clínicos e nutricionais. História de emagrecimento e medição do IMC não mostraram ser fatores independentes de complicações e mortalidade operatória. Buscar novos parâmetros que contribuam para identificar os pacientes de maior risco de complicações e mortalidade requer uma equipe multidisciplinar que trabalhe de forma coesa.

Área

ESTÔMAGO E DUODENO

Instituições

INCA - Rio de Janeiro - Brasil

Autores

CRISTIANE A D'ALMEIDA, RUBENS KESLEY, LEONALDSON CASTRO, FLÁVIO SABINO, ANDRÉ MACIEL, ODILON SOUZA, JOSÉ HUMBERTO SIMÕES CORREA, EDUARDO LINHARES